Para quem devemos apresentar o RPG?
Eu sei, eu sei, ultimamente estou mais no lado “teorético” que do lado prático do RPG, mas esses tipos de posts são precisos. O post de hoje começou depois de uma peregrinação minha, em busca de jogadores para Mago o Despertar, aqui na minha cidade.
Por mais que tivesse inúmeros jogadores a quem eu pudesse chamar, todos queriam, ler o livro primeiro (um tomo com 400 páginas) para depois jogar. Nenhum aceitava minha explicação e apresentação sobre o jogo, como se eles fossem novatos (o que, de fato, para o jogo, eles eram). Então, veio a ideia genial (ou girico, não sei ao certo, dada as circunstâncias) de chamar gente nova para jogar RPG e apresentar o jogo.

Foi aí que começou a dúvida que titula o post que você lê: Para quem devemos apresentar o RPG? Afinal, pretendemos passar inúmeras horas com essa(s) pessoa(s), de preferência por um bom período de tempo — meses ou anos, quem sabe? — e não queremos que elas acabem frustrando a nossa diversão como a do grupo como um todo. Sem contar que, uma vez apresentado o RPG, se for uma pessoa não propensa ao estilo cooperativo/interativo do jogo, pode ser que arruine a diversão de outras pessoas de outras mesas, não só a sua.
Claro que eu gostaria de ver super popularizado, com o máximo pessoas possível que quisesse e buscasse aprender a jogar, com inúmeras empresas lançando excelentes materiais por um custo mais acessível, porém, isso é um sonho muito, muito, muito distante, por inúmeros motivos. Contudo, ao invés de citar esses inúmeros motivos, pensei em 5 pontos que considero importantes, na hora de escolher quem devemos “iniciar” em nosso hobby. Eles não estão em ordem de prioridade ou qualquer ordem que seja, que não a “de cima para baixo”. Sendo assim, são, eles:
- Alcance
- Interesse
- Sociabilidade
- Gostos pessoais
- Relação com o grupo

Alcance
Pense em alcance como a facilidade que você tem para entrar em contato com aquela pessoa. Quão mais fácil conseguimos contata-las, mais fácil saber a rotina dela e como dar um jeito para que ela também possa jogar.
As pessoas que estão mais fáceis ao nosso alcance são os irmãos, quando os temos. É fácil saber se seu irmão estará em sua casa para alguma sessão, não é? xP Além disso, teria o benefício de poder emprestar seu livro para alguém que não precisaria leva-lo para longe da sua casa, podendo, assim, facilitar o aprendizado das regras de um dado sistema, por parte da pessoa.
Os próximos nessa escala, são os primos. Apesar de alguns primos serem tão distantes, mesmo morando a poucas quadras, ainda há famílias que mantém contatos constantes. Convidar um primo para conhecer o nosso hobby, explicar o que é e, quem sabe, até jogar algo com ele, seria uma ótima forma de trazer alguém para o RPG, também. Depois disso, teríamos os amigos de sala de aula. Não é incomum vermos grupos formados por pessoas da mesma sala de aula e que jogam durante os intervalos (recreio, para alguns) e, algumas vezes, até durante as aulas mesmo.
Sala de aula é um ótimo lugar para encontramos novos jogadores, já que podemos fazer amizades com pessoas que aparentem gostar das mesmas coisas que nós, o que aumenta a chance deles ficarem interessados em jogar.
Por último, temos os métodos radicais, como abordagens sistemáticas em feiras e eventos, ou perguntar para alguém se ela conhecem alguém que estaria interessada em conhecer. Enfim, acredito que entenderam o que o alcance significa, correto?

Interesse
Não basta você encontrar alguém que diga que quer jogar, o ideal é encontrar alguém que mostre real interesse em querer aprender, que queira marcar um dia para uma explicação mais detalhada ou que pergunte onde pode achar algo mais, antes de dar uma resposta se quer jogar ou não. Alguém que consiga manter o interesse no RPG por si só, é bem provável que dará um bom jogador. Bom, pelo menos um jogador esforçado, creio eu.
Claro, devemos separar o joio do trigo. Aqueles que mostram interesse demais, que ficam perguntando a cada 5min no messenger, ou que vive te ligando para saber isso ou aquilo de mão beijada, mesmo você já tendo dado várias fontes de pesquisa (sem contar o Google), deve ser visto com ressalvas. Algumas vezes, jogadores assim podem dar certas dores de cabeça, e isso é o que queremos evitar, chamando “a pessoa certa” (se é que isso existe), não é?
Sociabilidade
Preocupar-se com o comportamento da pessoa com relação aos outros e perante a sociedade como um todo, é um ótimo meio de filtrar possíveis “candidatos”. Se alguém não se mostra capaz de lidar bem com os outros, independente de quem for, há a possibilidade dele acabar se estranhando com algum dos outros jogadores do grupo que você pretende formar. Problemas entre jogadores é uma das últimas coisas que queremos em nossa mesa, não é?
Além do mais, saber portar-se bem, independente de onde for o local da sessão, seja num shopping, num clube, na sua casa, numa feira, etc, é algo imprescindível. Não queremos alguém que viva entrando no quarto dos outros sem permissão ou mexendo nas coisas da casa dos outros, deixando-as bagunçadas.

Gostos pessoais
Pois bem, como já falei mais acima, é bem mais provável que alguém com gostos parecidos com os seus acabe se tornando um jogador de RPG também. Embora isso não seja garantia, aumenta bastante a probabilidade. Então, se você é jogador de RPG e acha que é geek, gamer, nerd, otaku ou qualquer outra coisa do tipo, por que não tentar trazer outra pessoa, desse espectro de conhecidos, para o nosso lado da Força?
Entretanto, não é porque você está incluso (ou se inclui) num dos grupos acima citados, que você só deve procurar nesse meio. Não podemos predizer de onde pode vir, porque não conhecemos todo o mundo tão bem quanto a nossos parentes e amigos mais próximos. Por isso, abra a cabeça, deixe o preconceito de lado e perceba que até mesmo aquele cara da sua sala, que você chama de playboy, pode ser um ótimo RPGista, se tiver interesse de verdade.
Relação com o grupo
Sei que já falei, sobre relação com as pessoas, mas, nesse caso, é uma relação específica: Relação dela com 3 ou 4 outras pessoas, que passarão a fazer parte do cotidiano dela. Assim sendo, é necessários que todas possam confiar, uma nas outras, pelo menos durante a sessão de RPG, para que todos compartilhem de um bom momento, de pura diversão.
Mesmo que vocês não costumem andar com as mesmas pessoas, não costumem sair para os mesmos lugares e coisas do tipo, enquanto houver respeito e confiança entre todos, com certeza, serão capazes de colocar em prática uma boa sessão. É por esse motivo, que é imprescindível que a pessoa escolhida se dê bem com o grupo já existente ou com as pessoas que farão parte.

——
A chance de uma pessoa que “passa em todos esse quesitos” dar um bom jogador de RPG, é bem grande. Não imagine esse post como um cerceador entre “quem pode” ou “não pode” jogar RPG. Tome-o como um guia, como uma ajuda extra para aumentar a chance de que as pessoas escolhidas deem em bons jogadores. Como não sabemos o que vai acontecer no futuro, até mesmo nosso melhor amigo, com mesmos gostos e vivência, pode não dar um bom jogador de RPG, mesmo que queiramos muito.
E para você, quais são os padrões ou “requisitos mínimos” que você costuma procurar numa pessoa para poder apresenta-la ao RPG?
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5 de janeiro de 2012 às 9:19 am
eu já disse isso antes e vou adicionar ao post: NÃO CHAME SEUS AMIGUINHOS COM PROBLEMINHAS NA CABEÇA. pessoal começa a jogar demais, daqui a pouco acha que o RPG é a vida dele e começa a levar tudo o que acontece pro pessoal. true story, infelizmente. já comentei em outros posts como até amizades foram destruídas por eu ter iniciado a pessoa errada.
outra coisa: ao falar em alcance, por mais que esteja faltando um jogador na mesa, não chame o amiguinho furão que dá bolo toda vez e depois vem com desculpa esfarrapada. não quer jogar, não joga, mas cancelar sessão porque fulano tá doente e depois ficar sabendo por outra pessoa que ele foi é pegar uma menina é escroto.
cuidado também com o pessoal que tem pais rígidos demais. às vezes são só restrições de horário e tal, mas tem pais que são meio doidos mesmo, que vão entrar no quarto com um rifle dizendo pra você parar de iniciar o filho dele nas artes do demônio. estou exagerando, mas tem um pessoal que realmente não aceita e pode dar problemas até pro próprio amiguinho. não tou dizendo que só porque o cara tem pais doidos não pode jogar, só lembrando que às vezes o próprio cara que não enfrenta os pais quanto a restrições absurdas – se o fulano tem 25 anos na cara e baixa a cabeça pra tudo, não tem muito o que se fazer.
enfim. no fim das contas, tudo se resume a bom senso XD
5 de janeiro de 2012 às 12:53 pm
Talvez por questões locais do hobby por cá eu sou mais do tipo inclusivo, do divulgar o RPG para toda a gente e tal.
Por outro lado já cheguei à conclusão que tal como qualquer ocupação ou hobby existem níveis diferentes de interesse e envolvimento.
Devido a isso tenho a ideia que só depois de algumas sessões mais casuais pelas quais não tenho muitas expetativas (com temática acessível e com aproximações bastante mais focadas ou superficiais) é que posso realmente sondar quais são as inclinações dos participantes e desse modo não forçar um “insucesso” à mesa de jogo.
Por outro lado, e depois de algumas conversas, às vezes chega-se à conclusão que se deve logo partir para jogos mais complexos e envolventes sem passar pela fase de “audição”.
Acho que tudo depende bastante da aproximação e do compromisso por parte do “aficionado” do RPG.
5 de janeiro de 2012 às 11:09 pm
Isso tudo é demais pra alguém que nem sequer tem vida social, como eu… \o\
6 de janeiro de 2012 às 1:51 pm
O Erick ta ficando muito filosofo… ahasuhda.
Mas falando serio, esses lances tem fundamento, não dá pra apresentar o hobby pra todo mundo (ou até dá, mas alguns são muito mais dificeis).
Bem, depois posto um coment mais eleborado, ando sem muito tempo ultimamente.
11 de janeiro de 2012 às 1:50 pm
Uma coisa importante também é ver se o cara tem certos atributos importante para o rpg, como uma boa imaginação. Tem nego que num sabe imaginar um lápis sem olhar pra uma figura antes…
Além de coisas como concentração e tals…
12 de janeiro de 2012 às 8:25 am
Fala mestre!
Não costumo criar mtas restrições para apresentar o rpg para alguem, pois o maximo que pode acontecer é esse alguem não se encaixar no meu grupo ou não curtir o jogo.
Mas acho que a @metalgeisha tem toda razão quando fala para ter cuidado com aquelas pessoas que já apresentam algum “probleminha na cabeça”, isso é sério, pode ser algo mto complicado de lidar posteriormente com alguem que pirando em cima de algo que foi vc que trouxe.
Aproveito a ocasião para dar algumas pistas de como saber se esse seu amigo é assim: se ele já mergulhou de cabeça (mesmo) em diversas religiões pregando uma e dai a dois meses outra; se ele costuma compara-se seriamente (seriamente mesmo) com diferentes personagens de filmes ou livros; se ele esta envolvido com drogas (nesse caso a coisa pode complicar e mto).
Enfim, apenas algumas palavras para tomar cuidado para não acabar sendo envolvido no problema dos outros com o seu hobby, que não é o culpado pelos problemas do amigo, mas que será usado como bode espiatório, algo do qual o rpg não precisa, pois já sofre o bastante com isso por outras razões mtas vezes explicitadas por aqui.
15 de janeiro de 2012 às 4:05 pm
eu nunca fui de restringir, e isso já gerou alguns problemas, mas no final das contas achoq ue a melhor maneira é testando. Normalmente dou oportunidade à quem quiser, aí com o tempo vemos se a passoa “vai ou ñ” engrenar na coisa.
Dos pontos levantados aí no post, o principal deles, pra mim, é a questão da personalidade de quem vc está chamando, afinal de contas, partimos do pressuposto que estaremos reunidos em um grupo de umas 5 ou 6 pessoas por umas 4…6 hrs durante um bom tempo, e nada pior do que ficar aturando aquela galerinha cheia de marra, irritante, sem noção e etc. nesse período.
ENtão assim se vai chamar alguém novo, procure fazer aventuras one shot ou mais simples, pra ñ envolver na trama o personagem daquele cara que vai sair do grupo no terceiro final de semana….