Personagens suicidas
Em algum dos posts anteriores, comentei sobre o pequeno problema que estava enfrentando (sim, foi resolvido, mas fica para outro post) com o meu personagem. Nos comentários, levantaram um ponto interessante: Personagens suicidas e os perigos que eles podem ser.
Apesar de já termos falado sobre inimigos suicidas, vale à pena gastar algumas palavras com esse tema, quando levado para o lado dos jogadores, uma vez que pode trazer inúmeros problemas para mesa. Além disso, também pode trazer inúmeras reviravoltas e níveis de drama sensacionais relação entre os personagens.

Mas, acima de tudo, temos de saber como lidar com esse tema, principalmente se tiver a chance de ser mal interpretado ou pessoas influenciáveis no grupo. Então, vamos ao que interessa.
Problemas e perigos
Para começar, vamos deixar claro que há dois tipos de suicidas: Os conscientes e os inconscientes. Os conscientes são aqueles suicidas tradicionais, que já não veem qualquer razão para permanecer neste mundo, seja por ter perdido um ente querido; por ter entrado com pedido de falência; por ser um solitário sem alguém para amar e ser amado; estão com alguma doença terminal e preferem não ficar mais no sofrimento causado pelo tratamento, etc… A quantidade de problemas (ou desculpas, depende de quem vê) são inúmeras.
Já os inconscientes são aqueles que enfrentam qualquer situação sem pesar as consequências que suas atitudes podem gerar. Os típicos suicidas inconscientes são aqueles que buscam praticar os esportes mais radicais do mundo; os que entram em brigas sem avaliar quem irá enfrentar (uma única pessoa ou um grupo inteiro de torcedores do time rival?); aqueles que aceitam um desafio só para não pagar de frangotes — Dúvido se você consegue frear no limite do penhasco, com esse seu calhambeque…—; Sem contar os inúmeros idiotas que nem sabem o porque de estarem fazendo aquilo.
Como se pode ver, um personagem suicida, seja de qual tipo ele for, é um perigo ambulante. Não há o que discutir quanto a isso. O problema é que, geralmente, suas atitudes acabam envolvendo inúmeras outras pessoas, principalmente as mais próximas. Inúmeros familiares e amigos ficam preocupadíssimos com o estado em que os personagem está, fazendo, sempre, questão de saber como, onde e com quem está, par evitar qualquer tragédia. Suas vidas ficam milhares de vezes mais corrida e atarefada por sempre ter uma preocupação em mente.

Agora, imaginem em um grupo de aventureiros, onde cada um dos personagens confia a própria vida nos outros integrantes do grupo. Como é que fica a cabeça de alguém, que já enfrenta milhares de perigos em uma jornada, e ainda tem de se perguntar duas vezes se deve ou não pedir ajuda para um companheiro em um monte de perigo? Será que ele ajudará o suicida na hora que for preciso? Será que o suicida irá ajudá-lo quando ele precisar?
São questões que mexem com a cabeça de qualquer personagem. Particularmente, acredito que os mestres deveriam impor alguns redutores em algumas jogadas que estejam relacionadas ao personagem, mesmo que seja alguém do próprio grupo, indo ajudar. A desconfiança, até que se prove o contrário, ficará bem viva na mente daqueles conviverem com ele.
Reviravoltas e dramas
Apesar de todos os problemas mencionados nos parágrafos anteriores, personagens suicidas ainda podem ser verdadeiros poços de plots e drama para qualquer aventura. Se você duvida disso, preste bastante atenção, a partir de agora.

Embora suicida, com a ajuda dos outros personagens do grupo, ajudando a aumentar a sua auto-confiança, encorajando-o a tomar decisões difíceis, a sair dessa situação em que se encontra e avaliar melhor seu modus operandi, o jogador poderá “vencer o Oscar” de melhor interpretação das sessões. É bem provável que seu personagem fique marcado na memória do grupo.
Contudo, tudo é um processo, não é de uma cena ou de uma sessão para outra que o personagem deve “ficar curado”. E é aqui que entra a parte do drama. O personagem passará por dificuldades para manter-se íntegro às decisões tomadas. Poderá, ainda, entrar em recaída, levando por água a baixo toda a evolução que teve, sem contar a crença que os outros personagens tinham que melhoraria.
Abro um parêntese, aqui, para falar sobre a melhora, ou não, do personagem. Acredito que deva ser uma decisão conjunta Mestre-Jogador ou, melhor ainda, Mestre-Jogadores, se o personagem em questão sai do estado de suicida e consegue livrar-se de tal problema. Depois de algum tempo, pode começar a ficar maçante, manter esse tipo de comportamento. E, isso, deve ser levado em conta nessa decisão, além claro, das diversas situações que o personagem já passou, se mostrou indícios de verdadeira melhora e coisa do tipo.

Sendo um tema um tanto quanto polêmico, fica até um pouco complicado abordá-lo de outro jeito. Espero que os personagens de vocês que tenham algum defeito ou desvantagem do tipo suicida, consigam superá-la junto dos outros desafios que o grupo tiver de enfrentar e saia-se bem-sucedido sempre.
Bom, espero que tenham compreendido o ponto levantado, e espero que levantem outros pontos que não abordei ou mesmo discordem do que eu disse, lá pelos comentários. Somos todos mestres, por aqui. Grande abraço e até mais \\//_
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24 de fevereiro de 2012 às 10:38 am
Vixe, tema pesado XD na verdade, eu estava pensando em uma situação comum em histórias: o imortal que busca morrer por estar cansado da vida, um pouquinho mais longe da realidade.
24 de fevereiro de 2012 às 11:48 am
Existe também um outro tipo de personagem suicida na mesa de jogo. O gerado por mestres mais controladores. Daquele tipo que cria uma aventura específica, com um destino pré-determinado pra cada personagem e não permite alterações salvando-os sempre que algum perigo ameaçar sua história.
Exemplo: Mestre cria uma aventura em que os personagens deveriam estar no final contra o boss, mas o bárbaro do grupo decidi enfrentar sozinho um grupo de inimigos pra garantir que os outros cheguem ao destino sem atrasos. Um típico sacrifício heróico pelo bem da missão. Mas o mestre decide poupar o bárbaro mesmo ele enfrentando 10 inimigos! É óbvio que os outros vão parar de se preocupar tanto com a morte e vão começar a se jogar de cabeça em tudo que aparecer, afinal, o mestre não vai deixar ninguém morrer, a não ser nas mãos do boss.
24 de fevereiro de 2012 às 5:42 pm
Personagens suicidas são uma dor de cabeça mesmo. Mas, depois que vc mestre mata o personagem que age assim (qdo merece), isso passa a ser mais fácil de lidar. Nada que a primeira morte, nao ative o senso do perigo dos outros na mesa!
24 de fevereiro de 2012 às 9:10 pm
Eu narro RPGs de horror , a alguns anos e a algum tempo atras eu tive a oportunidade de entrar em contato com esse tipo de personagem..
Enquanto , eu narrava uma messa baseada no filme madrugada dos mortos.
Um de meus jogadores acabou ficando preso em uma loja de conveniências [Que ele mesmo trabalhava].
E depois de uma rápida busca por suprimentos e um saída deste local…
O personagem acaba se deparando um uma ex namorada dele , já zumbificada..[Zumbi clássico mesmo , todo $#$#].
Ele acaba se trancando em uma sala , apenas com uma uma clock com menos de 3 ou 4 balas no pente..
Esta situação demorou em tempo de jogo pouco mais de 2 dias..
Até que sobre a pressão dos gemidos e múrmuros do outro lado da porta..
O personagem não aquenta…
Então..
Eu gostaria muito de uma ajuda neste quesito , este jogo que eu tive eu narrei pessoalmente para esses jogadores..
Mais agora que eu estou narrando online. Estou com alguns dificuldades em passar essa atmosfera pessada..
Eu gostaria muito que alguem me ajuda-se.
Obrigado