E quando começamos a odiar o personagem?

Alguma vez na vida RPGística de vocês, já sentiram raiva de algum personagem que vocês fizeram? Pois bem, para minha infelicidade, isso aconteceu recentemente, comigo. Garanto a vocês, é uma situação desconfortável.

Eu tenho um pequeno “TOC” ao criar personagens: Preciso que eles sejam bem criados, com background interessante e combinando bem com a ficha. O @delAngeles, que hoje escreve para a Rolepunkers, sabe como eu demoro um pouco para criar meus personagens.

Quase sempre me dou bem com meus persongens. É bem provável que, uma vez feito, não faça mudanças na ficha, mesmo depois do playtest da primeira sessão (algo comum em vários grupos, inclusive nos meus, quando estou mestrando). Faço os ajustes quando o personagem vai evoluindo, ganhando experiência, subindo de level e, no fim-das-contas, tenho um personagem bem legal e interessante, ao meu gosto.

Dessa vez, não foi assim. Eu consegui criar um personagem para o nWoD que, a priori, seria minha obra prima: Personagem com grandes chances de completar suas missões, sem ser aqueles apelões e, como sempre, muito poder de fogo (Armas de fogo •••••) — sobrevivência em primeiro lugar…

Primeira sessão? Ok. Segunda? Também. Nada demais, nada espetacular, nem para bom nem para ruim. Da terceira em diante, uma bola de neve. Por mais que eu visse que ele funcionava bem, como personagem, não estava funcionando bem para mim. Comecei a achar problemas nele — problemas que surgiram do background que criei, diga-se.

Isso me deixou muito encucado. Gosto de personagem com defeitos, até porque, são os defeitos e características diferentes que deixam os personagens marcantes. Mas esse mais atrapalhava que ajudava. Comecei a coloca-lo em situações de risco, para ver se eu sentia gosto de jogar com ele, mas não adiantou muito. Mantive-o em situações de risco para ver se ele morria para eu tentar criar um outro personagem, mas, também em vão.

A raiva desse personagem só crescia. Apesar disso e de querer mudar de personagem, eu tenho um outro ‘TOC’: sempre levo o personagem até seu fim derradeiro (a não ser que a campanha deixe de ser jogada e não possa mais fazê-lo…).

Muitos de vocês já teriam jogado tudo para o ar e criado outro personagem, porém, não consigo. Mesmo em campanhas não finalizadas, costumo imaginar o que teria acontecido com o personagem. Afinal, nunca sabemos quando uma dessas histórias podem acabar virando um épico e virar um conto, romance ou mesmo livros, não é?!

Quanto à campanha? Bem, ela vai continuar e o meu personagem continuará a ser o grande maluco que se mete nas piores situações possíveis. Quem sabe ele seja sortudo o suficiente para sobreviver a todas essas situações e, assim, acabar ganhando algumas páginas como o maluco que salvou o mundo tentando morrer? Seria uma história em tanto, podendo, inclusive, virar uma lenda no cenário do jogo…

Entretanto, isso ainda não me faria gostar mais dele. É algo que, simplesmente, não vai. Alguns falam em “relação de amor e ódio”. Esse caso é “relação de desinteresse e desgosto” que pode acabar dando certo, no fim das contas.

Para finalizar, o que vocês acham que seria melhor? Largar o personagem de mão e criar outro, sofrendo as penalidades impostas pelo mestre (sim, por aqui tem isso, sim) ou continuar jogando, não sentido aquele gosto mágico que, geralmente, sentimos ao interpretar nossos personagens? E outra: se fossem vocês, na minha situação, o que fariam — apesar de já “saber” da resposta?

Grande abraço e até mais…

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Comentários para “E quando começamos a odiar o personagem?”

  1. J
    9 de fevereiro de 2012 às 7:42 am

    Fala Mestre!

    Que sinuca de bico hein?! Mas falando sério, não senti na tua fala aquela sensação que para mim deve ser a principal, sair de uma sessão de rpg com satisfação e leveza de ter passado um boa parte de seu tempo em algo realmente divertido que lhe permitiu descontrair e desestressar. Pelo menos para mim o rpg funciona assim, um momento para baixar a poira da pauleira do dia, pq nessa hora não dá pra ficar com esse desconforto, acho que deverias recomeçar, fazer outro personagem, bolando com o mestre qual o destino do teu personagem atual.
    Diversão acima de tudo, rpg pra mim é por aí.

  2. Renato Trimegisto
    9 de fevereiro de 2012 às 8:43 am

    Não acredito que valha sacrificar muitas horas de diversão para um futuro grandioso que pode acabar não acontecendo. Valeria mais a pena você mesmo escrever o fim do personagem em um conto do que esperar que ele surja em jogo…

    Se está realmente tão desinteressado por ele isto vai cedo ou tarde se refletir em campanha e atrapalhando o resto do grupo, como já deve estar sendo considerando seus atos suicidas =P

    Jogue com ele até ter uma boa ideia, converse com o Narrador sobre algum momento onde a transição de personagens poderiam acontecer naturalmente e junto dele façam um final legal para o personagem. Pelo menos é o que EU faria.

  3. metalgeisha
    9 de fevereiro de 2012 às 9:39 am

    Eu não entendi exatamente XD Porque você não gostou do personagem? Não rolou química, foi isso?

  4. DM GAS
    9 de fevereiro de 2012 às 11:07 am

    Bom

    Como eu não conheço mais detalhes, como o nível de amizade/entrosamento de seu grupo, vou comparar essa situação (descrita no post) com experiências minhas com jogadores e campanhas passadas.

    Primeiramente, vou me colocar no lugar do mestre: Já tive péssimas experiências com personagens suicidas, pois muitas vezes eles colocam em risco os outros também. Isso pode causar desconforto entre os jogadores, e até arruinar uma campanha, já que a possibilidade de um TPK aumenta consideravelmente. Com certeza um personagem suicida em meus jogos encontraria a morte, mas um detalhe descrito no texto chamou minha atenção: “criar outro (personagem), sofrendo as penalidades impostas pelo mestre”; essa regra pode indicar que o GM não gosta da troca exagerada de personagens durante o jogo, somado ao fato da campanha estar em seu início, talvez ele queira desenvolver a “estória” (com E mesmo) com os personagens inicias e só depois, com a morte ou troca dos mesmos, permitir outras experiências.

    Na sua pele (como jogador), eu trocaria de personagem mesmo com as penalidades, obviamente explicaria ao mestre o tamanho do meu desconforto, e que (como você mesmo escreveu) havia tentado digerir essa “persona” indigesta.
    Uma outra alternativa é criar juntamente com o mestre um destino para esse personagem, ou talvez até mudar a personalidade dele! Como?

    Vou exemplificar: Em uma campanha de Mago: A Ascensão, meu personagem era um jovem gênio “Filho do Éter” (Nacionalidade Alemã), acho que ele tinha uns 16 ou 18 anos e já era um engenheiro doutor. Bom, ele possuía dois grandes defeitos: autoconfiança deturpada e imaturidade. Ele se achava muito fod@, ao ponto de acreditar que mesmo o Paradoxo não impediria o progresso de suas ideias e invenções. Por causa de sua genialidade ele não teve uma infância/adolescência normal, e sua imaturidade juntamente com sua recém adquirida fixação por Animes e Filmes (a campanha se passava no Japão) causaram enormes problemas para os outros jogadores. Em um determinado momento, após meu personagem explodir em paradoxo e minha mente ficar estilhaçada, o mestre (em uma SideQuest) fez com que os outros jogadores salvassem meu personagem (em uma viagem maluca dentro da mente dele). Porém, o mestre explicou para todos que ele teria uma seria seqüela; a mudança da personalidade!

    Na época eu não gostei muito, mas hoje eu entendo muito bem o que o mestre fez! Era um bom personagem, todos gostavam dele (exceto o Adepto da Virtualidade), mas aqueles defeitos atrapalhavam o progresso do jogo! Então a troca existiu, mas não nos moldes convencionais.

    Viajei grandão novamente!

    Até+, e Bons Jogos para todos!

    DM do http://casadeprata.blogspot.com/

  5. EscocesVoador
    9 de fevereiro de 2012 às 2:13 pm

    Sei bem como é essa situação, tanto na pele de mestre como de jogador. Não é fácil lidar com jogador insatisfeito com o personagem; não é fácil lidar com personagem que achamos sem graça.

    Enfim, você tá no sal, hehehe.

    A coisa é 50%/50%: ou você larga o personagem ou não larga. Se for pra largar, eu sugeriria que você fizesse uma bela justificativa da razão pela qual o PC deixará aquele grupo: talvez perseguir um objetivo pessoal alhures, ou ainda fazer alguma espécie de retaguardar para o grupo (garantindo de modo genérico a segurança da missão), ou quem sabe transformá-lo em um NPC contratado para algumas tarefas (isso se encaixa bem no outro exemplo). Acho importante que você se convença da solução a ser dada para manter o seu TOC apaziguado (eu também sou bizarramente obsessivo, e sei como isso é divertidamente chato, hehhe).

    Se não for largar, talvez a situação melhore se você abrir o jogo com o mestre. Proponha uma side quest para desenvolver melhor algo de seu backgroud que possa ajudar a tornar o PC mais palatável. O mestre sabendo de sua situação irá provavelmente ajudar a encontrar uma boa solução.

    Boa Sorte!

  6. Erick Patrick
    9 de fevereiro de 2012 às 5:46 pm

    @Todos — Quando criei o personagem, pensei que seria o mais massa que já criei, mas foi o contrário. Não rolou um bom entendimento entre eu e ele.

    @J e @Renato — Pior que eu me divirto tentando faze-lo morrer. É divertido tentar encaixa-lo numa situação em que possa sofrer consequências “inimagináveis”. Só não tenho rolou química quando foi para jogar com ele (isso responde sua pergunta @metalgeisha ;P).

    @DM Gas — O problema de sofrer as penalidades é que o narrador nos deixa numa situação um tanto quanto complicada. Aí, ao invés de ficar triste por não rolar química com o personagem, ficaria triste por ver um novo personagem perecer tão cedo xP

    Quanto aos suicídios, bem, o mestre gosta de fazer os personagens todos trabalharem bem separados, unindo-os somente quando extremamente necessário para a história (hoje em dia, história com h minúsculo tem o mesmo sentido de estória, segundo a língua portugues o/).

    Então, apesar de estar tentando detonar meu personagem, o máximo que poderia fazer era demorar um pouco mais para os outros personagens conseguirem completar alguma missão que fosse conjunta (que não é o caso)

    @Escoces — Vou conversar com o narrador mesmo. Falar para ele encontrar algum daqueles monstros que só um cara com muitos anos de estrada e experiência poderia sobreviver (nWoD é bom por isso, dá para colocar essas lendas de monstros doidos sem muito problema ;P Só seguir o exemplo de Supernatural o/)

    Seria “uma saída” interessante para o personagem: Morrer em combate enfrentando um monstro poderoso que poderá vir a ser um dos vilões em sessões futuras…

    No mais, obrigado a todos pelos conselhos, pelo tempo lendo e pelos comentários… o/

  7. @OD_
    10 de fevereiro de 2012 às 11:42 am

    Sempre existe uma solução… Faz ele bater a cabeça e perder a memoria, se for por questões psicológicas, vc pode tentar falar com o mestre para criar uma outra personalidade. Sei la, situações de riscos podem provocar choques.. vai que uma lasca de madeira ficou presa no seu cerebro?

  8. Rodrigo Quaresma
    14 de fevereiro de 2012 às 9:46 am

    Quando eu não gosto de um personagem, eu simplesmente não consigo curtir o jogo. Me parece algo forçado e desprazeroso, como pagar impostos. Isso acaba me fazendo “empurrar com a barriga” e cria um desdém com todo o jogo em si. Pra não atrapalhar mais ninguém, e não me deixar mais furioso, eu saio da mesa (só aconteceu duas vezes, ainda bem xD).

  9. TF
    16 de fevereiro de 2012 às 8:20 pm

    Eu não consigo jogar com um personagem que não goste, o pessoal do meu grupo até comenta que eu fico trocando de char e que assim nunca serei forte ou terei importância in game! A mesa já tem 4 anos, sendo que eu entrei a 1 ano aproximadamente.. nesse tempo venho tentando achar um personagem que se encaixe ao meu gosto, mas até agora falhei! Nesses casos eu cheguei no mestre e avisei que trocaria, hj estou no meu 3/4 char (tecnicamente o 4º, mas ele na verdade é meu 1ª char renascido e, como dito anteriormente, com mudança de personalidade pelo q aconteceu em sua “1ª vida”) e não sinto mais que precisarei troca-lo!

    Quanto a personagens suicidas tivemos na ultima sessão uma situação desse tipo, um dos membros decidiu enfrentar um Lycan ancião sem motivo algum… durante a luta ele acabou abrindo uma fenda no espaço/tempo que trouxe para nosso plano nossos “eus” de um futuro alternativo, vale lembrar que essa foi a 2ª vez que isso ocorreu causado pelo mesmo player e na primeira vez a mesa qse sofreu TPK! O mais legal foi: Depois de ter ferrado com todo mundo abrindo essa fenda o player simplesmente morreu! Portanto pense bem antes de colocar seu char em situações suicidas, a mesa inteira pode ser prejudicada para que você consiga se livrar desse personagem