Imaginário Histórico: Bardos
A maioria dos mundos de fantasias são moldados às bases de culturas existentes. Costumes, crenças e sociedades são modificados à maneira e gosto do autor para que possa atender as necessidades da nova cultura a ser criada. Vários pontos poderiam ser abordados nesse tema, já que uma cultura é bastante extensa mas, pretendo abordar, pelo menos de inicio, as classes do RPG. De onde surgiram, quão real são e quanto de ficção existe. Nesse post, falarei um pouco sobre os bardos.
Bem, falar de bardos pode ser um pouco complicado, tendo em mente que eram exímios contadores de histórias, pouco se pode confirmar sobre a veracidade das lendas sobre os mesmos. Pesquisei um bocado desde o Imaginário Histórico: Paladinos para que pudesse ter o máximo de certeza sobre a exatidão dos eventos transcorridos. Mesmo assim, nunca é demais salientar que podem existir divergências com o contexto histórico apresentado em outros livros. Dou sempre o máximo de mim nessas pesquisas, e espero que esteja satisfatória apesar de ter conseguido tão pouco material.
A histórias desses aventureiros data de muito tempo mas, na Europa medieval, Alta Idade Média, foi onde ocorreu a vindicação de seus feitos. Os bardos existiram e, como no RPG, eles eram os poetas e músicos que embelezavam as grandes histórias. Viajavam entre países e aldeias e eram responsáveis pelos contos e fábulas que ganhavam o mundo em forma de belas canções, histórias e contos, em geral acompanhado do som de instrumentos, sendo que, nem todos eram músicos hábeis, muitos deles usavam a própria voz. Por conta disso, com o passar dos anos ficaram conhecidos, também, como trovadores.
Antigamente eles poderiam ser considerados, literalmente, como a voz do povo, ou dos próprios nobres, por serem contadores de histórias natos e viajantes vorazes, conquistavam a confiança de muitos que os usavam, muitas vezes, como “correio de voz”. Na arte, muitos também se destacavam. Ótimos pintores, desenhistas e escultores, em geral, também eram contratados pelos nobres para ornamentar suas casas.
Por viajarem muito, entravam em constante contato com culturas e costumes diferentes e tornavam-se assim fontes valiosas de informações. Pela versatilidade cultural encontrada em seu caminho, acabaram por adquirir vários títulos destintos em regiões diferentes. Muitos os chamavam de Trovadores, Menestréis ou Jograis, que sempre levavam consigo seus instrumentos leves para onde quer que fossem, em geral, flautas, haras e os tão famosos bandolins.
Suas histórias e contos ressoavam entre o povo, os artistas mais populares, compondo suas próprias poesias e músicas e principalmente plagiando as obras de outros. Desse talento adveio muitos dos contos e crenças populares, os quais, quer fossem reais, quer imaginários, encantavam os povos, por trazer a beleza ou o terror das terras distantes, inalcançáveis e desconhecidas.
Suas vidas não podiam ser consideradas como confortáveis em si, já que vagavam de cidade em cidade, dormiam em alojamentos (muitos nem um pouco confortáveis), e ganhavam consideravelmente bem, dependendo claro, de como encantavam sua clientela. Porém a maioria dos outros empregos na idade média exigia algum conhecimento especifico e, principalmente, dedicação. Alguns acreditam que muitos dos bardos do passado escolheram esse meio de vida por serem o chamado “espirito livre”, ou seja, apesar de alguns até terem família ou poderem conquistar seu espaço em empregos razoáveis, a arte e poesia interior os despertavam para um mundo de aventuras. Claro que isso pode ser apenas mais uma lenda recheada de poesia, a qual os próprios bardos poderiam ter criado!
A parte fantástica começou a surgir quando alguns relatos de canções mágicas começaram a surgir. É certo que não existe uma prova especifica da existência da magia na idade média, porém os rumores começaram a relatar curas físicas através de canções vociferadas e musicas instrumentais.
Assim, surgiram provavelmente, as ideias para os bardos RPGisticos. Os clássicos que, com sua música e poesia, encantão e auxiliam com sua magia aos companheiros em suas aventuras.
Para nós que não somos especialistas ou somos apenas amantes do modo de vida clássico medieval, característico da idade média, podemos apenas sonha e nos perguntar: poderia ter sido assim?
19 de outubro de 2010 às 5:35 pm
Bom post ^^
O conceito do bardo (magia através de musica) nunca me atraiu muito, então nunca cheguei a jogar de bardo.. Mas para todo mundo medieval eles são mto importantes… Como um guerreiro poderoso conquistaria fama em um mundo com as “comunicações” precárias? Quando jogo em mundos medievais sempre procuro manter um bardo próximo.. Principalmente para saber das noticias do mundo. Puxando para o assunto do post “Aliados do Grupo ou de um personagem”, um dos meus aliados sempre é um bardo – O informante.
Sobre de onde foi inspirado as musicas mágicas, acho que tem haver com as batalhas em guerras.. Até muito recentemente era comum ter uma ou mais pessoas tocando instrumentos durante a batalha, principalmente tambores, gaitas e flautas… Não sei se alguém chegou a utilizar isso no século 20, mas na Revolução Farroupilha aqui no Rio Grande do Sul entre 1835-45 tenho certeza que usavam ^^.
abrass
19 de outubro de 2010 às 5:46 pm
Acho que por ter sido influenciado por uma centena de filmes capa e espada, no melhor estilo 3 mosqueteiros, eu sempre achei que a figura do espadachim boêmio se encaixava melhor na figura do bardo, aliás é bem mais interessante.
Na série de livros do capitão Alatriste um dos melhores espadachins da velha Madri é um poeta, esse negócio de música mágia é curiosa mas confesso que nunca quis jogar com um bardo.
Mas sempre colocava vez por outra um guerreiro com algumas habilidades como menestrel, isso é sempre legal :).
Havia dois tipos de bardos, se não me engano, os trovadores, que seriam compositores, e os bardos que praticamente só espalhavam a canção dos outros.
19 de outubro de 2010 às 5:55 pm
Ótimo post!
O bardo é provavelmente a classe mais difícil de se encontrar uma “raíz histórica”,mas acho que os pontos que levantou retratam muito bem isso.
Só creio que a questão de enaltecer heroísmos através das canções, poemas, etc., também é presente nos aedos gregos.
19 de outubro de 2010 às 7:00 pm
Menestréis hsitóricos eu desconheço, mas nas lendas medievais eles estão cheios, um exemplo é aquela lenda que Mozart transformou em ópera “A flauta mágica”, do flautista que toca sua flauta mágica e afasta todos os ratos da cidade, e os traz novamente porque o rei não pagou a quantia prometida.
Sem contar que no mundo real mesmo, uma canção muito bem interpretada parece realmente “encantar” o ouvinte, dando origem é claro da mágica com foco na música e artes.
O bardo serve também de embrião para uma das mais elegantes classes dos mundos d efantasia: que é swaschbuckler. Nem guerreiro, nem ladino, nem bardo, ele une características próprias com habilidades destas três classes.
19 de outubro de 2010 às 8:22 pm
Incrível o post e blog! Parabéns!^^
Estava vagando pelo O Clérigo e acabei vindo parar em teus salões, amigo. É muito profundo mesmo a ideologia do bardo, caramba! Isso me fez lembrar das aulas no meu 1º ano quando estudavamos o trovadorianismo, como que isso inspira a gente. Época de prosa cantada, de viagens, feudos!
Mas Flávio, acho que essa questão da magia da música tem até fundamento. Se formos olhar, a música seria harmonia de frequências sonoras que trazem jubilo aos ouvidos. Eu mesmo tem um pé nessa coisa que música é terapia. Por isso não acho que é a toa toda essa coisa de bardos mágicos que inspiram.
19 de outubro de 2010 às 8:45 pm
Carambas…
Vocês tinham é que arrumar também uma aba pra “Seguidores”, tava caçando como louco aqui! Abraço
20 de outubro de 2010 às 11:32 am
Minha classe favorita, toco um poquinho de violão, e quando faço um bardo levo o istrumento e a sessão fica muito divertida, e geralmente o mestre não me faz usar dados, pois eu improviso, se sair bom blza, se não, fazer o que, o guerreiro fica sem aquele pontinho de força…
20 de outubro de 2010 às 1:21 pm
@Belero: Obrigado pelo comentário. Achei muito interessante esse ponto que você falou sobre um bardo sempre ao lado do grupo, boa pedida! Bom ponto também o que falou sobre as músicas e a magia, o que abordei foi apenas um dos milhares de tipos de relatos de musicas e suas qualidades “sobrenaturais”.
@Cão de Caça: Obrigado o comentário brother, e boa pedida essa sua ai de mosqueteiros, ou como são conhecidos no RPG: swashbuckler. Acho que vou falar um pouco deles na próxima.
@Matheus Jack: Obrigado cara! E realmente foi bastante difícil encontrar bom material falando um pouco sobre eles. Mesmo assim dei o melhor que pude. Pensei em falar um pouco sobre a questão dos gregos, como você comentou, mas achei que prolongaria demais. Quem sabe em um próximo post.
@Lan de Borba: Cara eu AMO A Flauta Mágica! Acho que pelo fato de eu estudar música concordo plenamente quanto a mesma encantar os ouvintes, e novamente, sobre os swashbucklers, acho que falarei um pouco sobre eles na próxima. Acho fenomenal justamente essa “fusão” de classes a qual você comentou.
@Lord.Aaron: Valeu pelo elogio brother. Que ótimo que encontrou através do Clérigo, é um dos blogs que mais leio. Cara, amo muito literatura, e o Trovadorismo é um dos períodos mais fantásticos para mim (principalmente no que se refere a musicalidade). E sobre a magia da musica, a forma como abordou é o que realmente a torna fantástica. Estudo música e posso sentir essa “magia” ao sentir a vibração das cordas do violino, assim como o hipnotismo do som que domina o corpo. É maravilhoso. Sobre a questão do “seguir” o blog, nós não possuímos esse sistema, que se dá apenas no blogger (da google se não me engano). Mesmo assim é só pressionar Crtl+D e favoritar o nosso blog! ;)
@Heitor_HotPants: Cara, sou apaixonado pelos Bardos! Sempre que tenho a oportunidade jogo com um. Tive um susto, quando, ao ler o D&D 4a Jogador não encontrei a classe mas, um enorme alívio ao descobrir que a mesma fora inclusa do Livro do Jogador 2. Que massa essa sua ideia de levar o instrumento pra mesa! Realmente, se eu fosse o mestre permitiria uma interpretação no lugar da jogada de dados. Vou ver se os mestres daqui aceitam que eu leve o violino, vai que eu toco um Irish e Scottish bacana!
A todos, obrigado pelos comentários, e que ótimo que gostaram. Se quiserem indicar fontes de pesquisa para os próximos post’s, é só comentar. Também qualquer crítica construtiva será sempre bem vinda, já que, como gosto de comentar, nosso objetivo é a excelência, e são vocês que nos orientam nesse caminho.
20 de outubro de 2010 às 2:11 pm
Lembrei de mais uma ocasião onde música foi usada para inspirar soldados em batalha… Vi em um documentário (acho que foi “Fahrenheit 9/11″) que durante os ataques a Bagdá na ultima guerra do Iraque tocavam nos tanques americanos musicas como Burn (trecho – “Burn! Burn! Mother fucker, burn! Burn! Burn!”) e outros metais pesados… Ou seja até hj em dia a musica é usada, só que de uma maneira diferente…