As más notícias chegam a cavalo…
Como grande parte das mesas de RPG se utilizam de cenários com tendência medieval fantástica, resolvi sair um pouco do meu lugar comum. Para isso, resolvi falar de meios de comunicação em épocas medievais. Algo que já era pra eu ter falado há tempos, mas nunca consegui organizar minhas ideias. Mas, aqui estão elas.

Bom, vocês já pararam para pensar em como as notícias vem e vão? Nos dias de hoje, ela se espalha facilmente, ganhando ares globais rapidamente, tudo devido a internet. Claro, temos o telefone, TV, rádio e jornais, mas não tem a mesma velocidade e abrangência que a internet tem. Então, como as notícias se espalham em cenários medievais?
Para começar, temos o velho boca-a-boca, presente até os dias de hoje. A população quando sabe de algo intrigante, de algo horrível, de algo inusitado, é a primeira a espalhar notícias sobre o que esta acontecendo na região. Afinal, qual foi o grupo que nunca iniciou uma aventura em uma taverna, ouvindo as conversas dos outros? Alguém lembra daquele cavaleiro chegando sem fôlego, no palácio do rei, bastante ferido, avisando do que está acontecendo na parte baixa do reino ou em reinos vizinhos? E aquele bardo, menestrel ou trovador? Não venha dizer que eles só tem servido para cantarolar ou tocar nos seus cenários?
Dentro do boca-a-boca, temos ainda os espiões, que são enviados para infiltrar-se em certo local, para descobrir o máximo possível, e trazer, de volta para “sua casa”, notícias do campo, para que possam ser analisadas e usadas como vantagens em situações posteriores — “jogos de barganha” são ótimos para esse tipo de “comunicação”.

As notícias também são espalhadas de outros meios, como cartas e folhetins. Elas são repassadas através de pessoas responsáveis pela entrega em outros reinos ou nas casas de pessoas importantes do local, muito parecido com os jornais de hoje em dia, que são entregues em nossas casas.
Alguns outros meios utilizados, também, são as aves, como pombos e corvos (Game of Thrones, alguém?), que podem voar inúmeras milhas para entregar notícias curtas e de forma rápida, melhor até que cavaleiros indo entrega-las, que podem ser motivo para muito burburinho entre impérios vizinhos, que podem causar guerras por falso complô. E, pior, quando é, realmente, um complô, mandar cavaleiros não é uma forma sutil de manter as coisas em segredo, não é?
Meios um tanto arcaicos, mas que cumprem seu dever, são o sinal de fumaça e os símbolos (placas, cartazes e inscrições no chão/pedra, etc). Embora o sinal de fumaça seja um tanto complicado de conseguir, ele pode ser visto por muitos, à uma grande distância e podem salvar inúmeras vidas. Em conjunto com uma espécie de código Morse, pode chegar a ser bastante eficiente. Já os símbolos, servem, basicamente, para noticiar algo em uma região e que precisa ser lembrado o tempo todo. Avisos nas entradas e saídas da cidade, nas guardas e em alguns estabelecimentos, podem servir para garantir que certa informação cheguem a todos, de uma maneira fácil.

Contudo, esses são meios comuns. Um mundo de fantasia fantástica, por exemplo, pode aproveitar-se das inúmeras possibilidades que o cenário proporciona, como a magia e o psiquismo, por exemplo.
Quem aqui se lembra das Palantír, existentes no mundo criado por Tolkien? Aquelas pedras mágicas permitem a comunicação entre os detentores delas, o que poderia ser um ótimo meio de garantir confidencialidade e, até mesmo, velocidade na passagem da informação. A criação de meios de “teletransporte” de pequenos objetos, para o envio da informação ou algo parecido, também pode, muito bem, ser usado para esse fim.
Para quem curte mais a ideia do psiquismo, garantir que todas as cidades tenham um grupo responsável pela comunicação mental entre os diversos reinos (alguém tem lido Naruto recentemente? Se sim, saberão do que estão dizendo =D) ou entre o pessoal do fronte de batalha e a base, seria bastante eficazes. Além de garantir a entrega da mensagem, garantia que não haveria problema na “ida e volta do entregador”, uma vez que ele sequer pisaria fora das terras da coroa!

Como podem ver, existem inúmeros meios para se comunicar em épocas medievais. Depende mais do tom que seu cenário leva, para usar mais ou menos dessas dicas. Contudo, acredito que essas não são as únicas existentes. Se vocês souberem de algum outro meio não comentado aqui, deixem ali nos comentários. Quem sabe, alguém ache algum uso para ele, não é?
Espero que tenham gostado desse post, em breve, espero voltar com mais um, provavelmente, relacionado às ideias deixadas no post anterior, dos desafios de Leitura e Escrita. Grande abraço a todos e até mais.
18 de janeiro de 2012 às 9:14 am
Gosto muito de mensageiros a cavalo. Nada como uma bela perseguição pra interceptar uma importante mensagem enviada ao reino inimigo.
Embora a magia seja um interessante e eficiente meio de comunicação, os métodos mais arcaicos geram muitas possibilidades de interpretação.
18 de janeiro de 2012 às 2:58 pm
Eu gosto de dizer que a magia sempre será igual à tecnologia de ponta – em um mundo de fantasia com magia baixa até normal, é um recurso muito útil porém não popularizado. Mesmo em cenários onde existem magos de aluguel, a comunicação mágica é elitizada, cara e, se pararmos pra pensar, pouco segura. Afinal, é um mago que conjura a magia, e ele pode servir interesses diversos. O Palantir mesmo, é um telefone grampeado por Sauron. =D
Eu gosto de pensar sobre a comunicação de fantasia. O sistema de corvos de ASoIaF é muito ninja, mas mesmo assim não chega rapidamente nos lugares. Como disse o D. Lobo, muita aventura pode girar em torno de impedir ou fazer uma notícia se espalhar ou chegar em algum lugar. Sem falar em mensagens secretas e cifradas, espionagem, etc etc. =D
19 de janeiro de 2012 às 9:08 am
e não se esqueça do único cara que é poupado após uma chacina em uma vila pra poder espalhar as histórias por aí XD
19 de janeiro de 2012 às 9:09 am
@D.Lobo — Isso é bem verdade. São os meios mais tradicionais/arcaicos que trazem tramas interessantes mais facilmente. Mas, seria legal, também, ver uma “batalha mental” entre dois magos/psíquicos, um tentando entregar a mensagem e o outro tentando evitar. Meio surreal, mas seria loucura xP
@Dan Ramos — Que tal usar aqueles andorinhões, então? xP Eles voam a quase 100km/h, apesar do tamanho! Quem sabe, usar aves de rapina também seja uma ideia legal, já que voam a alturas bem maiores que corvos e pombos…
Sobre os Palantír, ficaram grampeados por Sauron, verdade. Mas, só porque ele tinha seu próprio Palantír (é o funcionamento básico deles: Ao tocar, avisar todos os outros Palantír de que uma mensagem está passando).
No mais, obrigado pelos comments! Abraços e até mais!
19 de janeiro de 2012 às 9:10 am
@Metalgeisha — Ahah verdade! Mas, ele foi poupado com uma flecha no joelho, só para não dizer que ficou ileso xP
19 de janeiro de 2012 às 9:36 am
A comunicação via espíritos mensageiros também é interessante, pois pode ser silenciosa e invisível, entretanto não tão segura heheehe.
obs: pessoas se puderem deem uma passada no Falando de RPG
20 de janeiro de 2012 às 1:34 am
Erick, tambem pode-se usar mensageiros disfarcados
de um viajante comum, e mensagens em codigo, que
podem ser levadas por qualquer um, que nao entendera
o conteudo, inclusive os proprios jogadores. Grupos
que tem seu proprio codigo e uma ideia interessante.
Um abraco.
21 de janeiro de 2012 às 5:39 pm
Essa postagem é muito boa por lembrar o quanto que as informações devem demorar para se propagar, temos magia mas ela não está em toda esquina.
Muitos dizem que magias de psiquismo, teleporte, etc, servem de modo semelhante a internet mas não é bem assim. Hoje a internet é popular, a magia nunca é popular. Alguns poucos tem esse dom e menos ainda alcançam as proezas dos níveis altos.
Gostei, muitos jogadores deveriam ler esta postagem!